quinta-feira, 27 de setembro de 2012


Um novo olhar sobre pessoas com deficiências

Escrito por Kelly Ferreira

Nota do blog Notícias com Inclusão, o título e texto original usa o termo errado: portadores de deficiências. Fizemos a correção para pessoa com deficiência. 

O corre-corre das milhares de pessoas que passam diariamente pela estação Sé do Metrô não atrapalha quem quer dar uma parada, nem que seja uma pausa rápida, para  apreciar a exposição 'Vidas em Cenas' que retrata a rotina de pessoas com deficiências. A mostra traz 14 imagens de deficientes  em diferentes situações, com idades que vão da infância até a terceira idade. A exposição segue até o dia 30 na estação Sé. Depois vai para as  estações Vila Madalena e Tiradentes do Metrô.

 Imagem que faz parte da mostra/ Foto: Kica de Castro
Com o objetivo de mostrar que a realidade das pessoas com deficiências é diferente do que muitos ainda  pensam, a escritora, pedagoga e mãe de dois filhos, Antônia Yamashita, selecionou 14 imagens dos fotógrafos Kica de Castro e Arthur Callasans, para expor  um pouco dessas histórias do dia-a-dia. “Nosso objetivo é mostrar que o cotidiano delas  é igual ao das outras pessoas. Elas superam as suas limitações, trabalham, namoram e praticam esportes como todos os outros”, diz Antônia.
A exposição foi montada como se fosse uma linha do  tempo, com  crianças, jovens, adultos e idosos retratados em família, estudando, conversando, namorando, praticando esportes, trabalhando e até se casando. “Nunca vi uma mostra que expusesse o mundo das pessoas com deficiência. Mas as  coisas estão mudando para melhor. Antes, era difícil encontrar serviços de fotografia para os filhos com deficiência,  como se não houvesse beleza neles”, afirma a pedagoga.
Modelos – Esta mudança se reflete  exposição e nos artistas que dela participam, como a fotógrafa Kica de Castro, que tem uma agência que fotografa modelos com deficiência. "Temos 80 modelos deficientes no casting no Brasil inteiro. Cerca de 60% deles fazem trabalhos esporádicos, mas isso é ainda muito pouco. Acredito que enquanto existir a palavra inclusão, ela de fato nunca vai existir", diz Kica.

Antônia, o marido Fábio, e os filhos Lucas e Victor. Ela criou a Instituição Mãe Especial e o projeto Imagem e Inclusão./Divulgação

A exposição foi totalmente adaptada para receber visitantes com deficiências. As legendas das imagens têm fonte aumentada – para que possam ser lidas por quem tem baixa visão  – e são transcritas em braille. As imagens mostram pessoas com  deficiências visual, auditiva, motora e intelectual. A exposição 'Vidas em Cenas' é a primeira do projeto 'Imagem e Inclusão' da Instituição Mãe Especial, que trabalha em prol das pessoas com deficiência, idealizada por Antônia  e seu marido, Fabio Yamashita.
Vida - A  luta de Antônia  para que a sociedade tenha uma nova visão sobre os deficientes, deixando de vê-los como "coitados",  começou há 11 anos com o nascimento de Lucas, seu primeiro filho. Aos 18 anos, Antônia, que já tinha o sonho de ser mãe, engravidou do então namorado, Fabio, hoje seu marido.  Lucas nasceu prematuro, com apenas 28 semanas e 880 gramas.
O bebê sofreu com anoxia, hemorragia cerebral grau IV, hidrocefalia e meningite bacteriana. Após três meses vividos na  UTI neonatal recebeu alta, mas o resultado de tantas complicações foi  uma paralisia cerebral.
Hoje com 11 anos, Lucas continua sendo  uma inspiração para Antônia  e  Fábio. Os dois, que também são pais de Victor, de 7 anos, realizam um trabalho constante para compartilhar informações e experiências, com educadores e outras famílias, sobre a condição da criança deficiente.

A exposição na estação Sé, onde fica até o dia 30./Paulo Pampolin-Hype

Inclusão – “A pessoa com deficiência pode e deve ser inserida na sociedade. Não pode ser vista como um peso. É isso que defendo em minhas palestras e nos eventos que participo. As pessoas sem e com deficiências  precisam conviver. Precisamos disso. Conviver com pessoas que superam as suas limitações nos torna”, reforça Antônia.
Para contar um pouco de sua experiência, Antônia lançou o livro 'A trajetória de uma mãe especial – O Milagre da Vida', pela editora Nilobook. Nele conta  a história dos primeiros anos de vida de Lucas. Por meio do projeto, são publicados também, trimestralmente, os gibis 'Turma do Lukas', que mostram o cotidiano das crianças com deficiência inseridas no universo infantil.

Serviço
A exposição Vidas em Cenas, do projeto Imagem e Inclusão, fica aberta até o dia 30 na estação Sé do metrô. Grátis. Mais informações no site www.maeespecial.com.br

quinta-feira, 5 de julho de 2012


Desfile Inclusivo na ETEC Tiquatira


O que seria um simples desfile de conclusão de curso dos alunos do ensino técnico em modelagem do vestuário, da ETEC Tiquatira, zona leste de São Paulo, no bairro da Penha, transformou-se  num exemplo de inclusão social e trabalho em equipe.
A proposta desse projeto foi à criação de moda inclusiva, roupas adaptadas de acordo com cada tipo físico, incluindo pessoas com deficiência, acima do peso (plus size) e da melhor idade. Finalmente a democracia foi incluída na passarela. Esse foi um verdadeiro desfile inclusivo, onde profissionais com e sem deficiência desfilaram na mesma passarela.
Um ano de estudo, pesquisa, aprendizado e muito trabalho de jovens que em breve vão estar no mercado de trabalho, criando tendências de moda no Brasil, assim como as estilistas em moda inclusiva: Cândida Cirino, Silvia de Castro e Joventina Souza.
O público marcou presença no dia 29 de junho na ETEC Tiaquira. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes para prestigiar esse importante evento.


Todos os processos de um desfile foram pensados em detalhes pelo organizador do desfile, professor Marcos Rossetton, em conjunto com os alunos do curso de Modelagem do Vestuário (concepção dos desenhos e no desenvolvimento dos looks) e do primeiro Módulo do Curso Técnico de Comunicação Visual, que criaram os ícones para compor convite e cenografia.



Entre os modelos participantes do evento, cinco eram modelos com alguma deficiência do casting da agência Kica de Castro:

Ana Laura, modelo mirim cadeirante
Desfilou com o look das estilistas: Bianca Angelin e Juliana Marques.

Giovanna Maíra, cantora com deficiência visual
Desfilou com o look da estilista: Juh Andrade.

Juliana Caldas, atriz e modelo com nanismo
Desfilou com o look das estilistas: Aline Soares e Marina Araújo.

Karoll Sales, modelo com deficiência visual
Desfilou com o look das estilistas: Cíntia Pegollo, Letícia Ramos e Maisa de Lima.

Rayane Landim, modelo fotográfico com paralisia cerebral
Desfilou com o look das estilistas: Ana Carolina Novais de Oliveira e Paloma Serradilha.


A passarela retangular preta unindo detalhes em amarelo “marca texto” nas sinalizações de placas de acessibilidade, fizeram a luz, o som, e a boca de cena somarem elementos estéticos de acabamento para destacar apenas as peças, modelos e o principal, a inclusão social.
Enfim, um desfile com foco no profissionalismo e não no assistencialismo. Transformou o tema “Inclusão Social” numa leitura de moda agradável dentro de um desfile, mesmo que acadêmico tecnicamente correto e profissional.


Parcerias foram importantes para realização desse projeto:

Instituição de ensino Embelleze, unidade Penha, que juntamente com a ETEC Tiquatira criou uma ação interdisciplinar com alunos assinando a maquiagem para o desfile. Uma importante ação, pois proporcionou uma interação entre as escolas e experiências práticas para os futuros profissionais no mercado de moda;

Empresa Anda Luz Acessibilidade, que forneceu o piso tátil para que os modelos com deficiência visual pudessem se orientar na passarela;

Virtuosa Festas que colaborou com o evento na parte de som, mostrando o profissionalismo do DJ Adriano do Nascimento, profissional com deficiência visual;

Cerimonial apresentado por Priscila Menucci, atriz com nanismo da agência Kica de Castro Fotografias, que fez questão absoluta de falar o nome de cada modelo participante no final do desfile;

Agências de modelos: Dune, Perfect Agency e Kica de Castro Fotografias.


Ficha técnica:
Desenvolvimento de coleção: Alunos do Curso Técnico em Modelagem do Vestuário.
Coordenadora de curso: Prof.ª Patrícia Yokomizo
Produção de desfile: Prof. Marcos Rossetton
Bookers: Kica de Castro, Junior Andrade (Perfect), Erison Kt e Carolina Cordeiro (Dune)
Fotografia: Kica de Castro, Lucie Santos e Equipe ETEC Tiquatira.


Os agradecimentos para esse evento de sucesso devem ser estendidos ao diretor da ETEC Tiquatira, Wilson Neres, seu corpo administrativo e docente, e também ao blog Deficiente Ciente, que sempre apoiam e incentivam ações inclusivas.

terça-feira, 3 de julho de 2012


Blitz da Alegria, no dia do “orgulho gay”


Toda diversidade vem lutando há anos pelo seu espaço na história da humanidade.  Respeitar o próximo não deveria ser lei e sim, cidadania. Guerras e revoluções são banais, quando o que está em jogo são vidas. Se o pré - julgamento for por uma característica física, uma opção sexual, cor de pele e até mesmo por torcer por um time de futebol, podemos deixar de conhecer determinado ser humano, que apesar das diferenças o ideal pode ser o mesmo: respeito ao próximo.
Por anos, a humanidade vem criando datas para as classes oprimidas, datas que no passado foram sinônimos de um basta à violência, extermínio, escravidão... O que seria um começo de nova era, vem se arrastando por décadas. Esse começo ainda não chegou plenamente. Nem toda diversidade é respeitada, mas melhor do que fazer guerra é levar a mensagem de paz, com alegria.
Dia 28 de junho, dia mundial do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).  Historicamente o primeiro movimento foi em 1969, em Nova York, quando os homossexuais cansados de apanharem dos policiais, que toda noite invadiam seus espaços de lazer, reagiram e ganharam a batalha contra a prepotência policial.  Nos anos seguintes, nessa mesma data, foram surgindo em outros estados passeatas, levando a mensagem que os homossexuais também têm direito a cidadania.
No Brasil são mais de 35 milhões de seres humanos desprezados, discriminados, violentados e até mesmo covardemente assassinados. Numa rápida pesquisa pela internet, nos últimos 30 anos, constatamos que mais de 5.600 homossexuais foram barbaramente executados, isso baseado nos casos em que foram noticiados pela mídia. Entretanto, sabe-se que existem vítimas da homofobia a cada dia.
Fazendo uma breve releitura do passado sobre as lutas homossexuais podemos observar que no presente, as lutas pela igualdade vêm ganhando força e novas formas. Não é preciso violência e nem agressões verbais.  Há várias formas de fazer valer o direito e levar o bom humor as ruas, afinal “o artista vai aonde o povo esta”, como dizia o poeta.


Estamos em 28 de junho de 2012, Shopping Bourbon, em São Paulo. O cenário não podia ser melhor, a peça de teatro Priscilla Rainha do Deserto, musical australiano, de grande sucesso na Broadway. A empresa Geo Eventos resolveu fazer uma blitz da alegria e não pensou duas vezes em contratar o melhor grupo de drags de São Paulo, Tchaka Eventos. Sob o comando de Tchaka, a Rainha das Festas, um grupo de atores performáticos, ficaram desfilando pelos corredores com muita alegria, brilho e salto alto.  Pensando em toda luta que existe pela igualdade, Tchaka também não pensou duas vezes e resolveu somar forças e lutar pela inclusão. Chamou para essa ação Priscila Menucci, atriz com nanismo da agência Kica de Castro Fotografias, que deu um show a parte, levando humor e a mensagem de inclusão dos grupos homossexuais e pessoas com deficiência.  Essa iniciativa não podia ter outro resultado a não ser o sucesso. O público interagiu com os atores, muitas poses para fotos, autógrafos e algumas das mulheres não deixaram de pedir dicas de maquiagem para as drags, “que vamos combinar”, estavam divinas. Para que essa comemoração fosse completa, o final não podia ser diferente, os atores ganharam entradas VIP´S para ver o espetáculo.